Critérios diagnósticos DSM-5 e CID-11: usos, limites e leitura crítica — 17/03/2027Estudo sistemático dos critérios diagnósticos do Transtorno do Espectro Autista nos sistemas classificatórios internacionais DSM-5 (APA, 2013) e CID-11 (OMS, 2022), com análise comparativa de suas convergências, divergências e implicações clínicas e políticas. Exame crítico do modelo dimensional adotado na revisão para o espectro, seus avanços em relação às versões anteriores e seus limites na captura da singularidade subjetiva e da heterogeneidade do TEA. Discussão dos usos legítimos e dos riscos do diagnóstico categorial no contexto da atenção psicossocial, da garantia de direitos e do planejamento das novas práticas profissionais.
Instrumentos de avaliação do TEA: leitura crítica e contextualizada — 24/03/2027 · Alexandra Ayach AnacheApresentação e análise dos principais instrumentos padronizados utilizados na avaliação diagnóstica do TEA, com ênfase em seus fundamentos teóricos, propriedades psicométricas, condições de aplicação e limitações contextuais. Problematização do uso acrítico de instrumentos desenvolvidos em contextos socioculturais distintos da realidade brasileira, e dos riscos de sua aplicação descontextualizada sobre populações em situação de vulnerabilidade. Reflexão sobre o lugar dos instrumentos padronizados em uma perspectiva de avaliação construtivo-interpretativa comprometida com a singularidade e a atenção psicossocial.
Avaliação e diagnóstico como processo construtivo-interpretativo — 31/03 e 07/04/2027 · Daniel GoulartFundamentação teórica e metodológica da avaliação diagnóstica no TEA a partir da Epistemologia Qualitativa e da Metodologia Construtivo-Interpretativo de González Rey, em contraposição ao modelo avaliativo instrumental e protocolar predominante. Discussão dos princípios que orientam o processo avaliativo numa perspectiva não patologizante: o diálogo como recurso comunicacional central, a produção de saber sobre a singularidade das pessoas, a integração de múltiplos contextos e fontes de informação, e a recusa à redução do desenvolvimento humano a escores e categorias. Apresentação de estratégias concretas para a condução de processos avaliativos que articulem rigor técnico, sensibilidade subjetiva e compromisso ético com as pessoas no espectro e suas famílias.
Subjetividade social na escola e na família: como os contextos produzem ou inibem o desenvolvimento — 14/04/2027 · Maristela RossatoAnálise do conceito de subjetividade social de González Rey como ferramenta para compreender os processos institucionais e relacionais que atravessam a escola e a família enquanto contextos de desenvolvimento de pessoas com TEA. Compreensão de como as configurações subjetivas sociais desses contextos — seus valores, representações sobre o autismo, práticas cotidianas e relações de poder — podem tanto potencializar quanto inibir o desenvolvimento, a autonomia e a produção de sentidos subjetivos das pessoas no espectro. Discussão de estratégias de abordagem psicossocial orientadas à transformação dos contextos, e não apenas à adaptação do indivíduo às suas demandas normativas.
Estratégias educativas e tecnologias assistivas no TEA — 28/04 e 05/05/2027 · Hanna Patrícia da Silva BezerraAnálise das especificidades da aprendizagem de estudantes com TEA no contexto da educação inclusiva, problematizando as barreiras pedagógicas e institucionais que comprometem o desenvolvimento na perspectiva da Subjetividade de González Rey e Mitjáns Martínez. Estudo das principais estratégias educativas e tecnologias assistivas disponíveis, incluindo aplicativos, softwares interativos e recursos de comunicação aumentativa e alternativa (CAA), como instrumentos de promoção da autonomia e da participação social. Reflexão sobre o papel dos profissionais de saúde na interface com a escola e geração de novas práticas psicossociais no campo do TEA.
A família como sujeito: configurações subjetivas familiares diante do diagnóstico — 12/05/2027 · José Fernando Patiño TorresEstudo da família como sujeito coletivo portador de configurações subjetivas próprias, que são profundamente afetadas — e frequentemente reorganizadas — diante do diagnóstico de TEA de um de seus membros. Análise dos processos subjetivos envolvidos na recepção, elaboração e ressignificação do diagnóstico pelas famílias, incluindo os impactos sobre os vínculos, os projetos de vida, as relações de cuidado e a distribuição de papéis. Discussão de abordagens de apoio familiar orientadas pelos princípios da atenção psicossocial, que reconheçam a família como protagonista do processo terapêutico e não como objeto de orientação ou correção.
Configurações subjetivas individuais no TEA: a singularidade em foco — 19/05/2027 · José Fernando Patiño TorresO valor do conceito de configuração subjetiva de González Rey à compreensão do TEA como expressão singular e complexa da subjetividade de cada pessoa, e não como conjunto fixo de déficits ou comportamentos universais. Análise de como as configurações subjetivas individuais organizam a experiência, os modos de vida, de aprender, de se relacionar e de enfrentar os desafios cotidianos de pessoas no espectro, em interação permanente com os contextos sociais e institucionais em que participam. Discussão das implicações dessa perspectiva para atuações profissionais que respeitem e potencializem a singularidade como recurso central do desenvolvimento subjetivo.
TEA e gênero: especificidades clínicas, mascaramento e diagnóstico tardio — 02/06/2027 · Ana Muhlethaler (Mestre)Análise das especificidades clínicas e diagnósticas do TEA em mulheres, meninas e pessoas não-binárias, situadas historicamente em um campo de pesquisa e prática profissional construído predominantemente a partir de indivíduos do sexo masculino. Estudo do fenômeno do mascaramento — camouflaging — como estratégia subjetiva de adaptação social desenvolvida especialmente por mulheres com TEA, e seus impactos sobre a saúde mental, a identidade e o acesso ao diagnóstico. Reflexão sobre as implicações da intersecção entre gênero, TEA e subjetividade para as novas práticas profissionais, com ênfase na revisão de instrumentos, critérios e princípios clínicos que reproduzem vieses de gênero.
TEA em contextos de vulnerabilidade social: interseccionalidades e acesso ao diagnóstico — 09/06/2027Análise das barreiras estruturais, sociais e institucionais que dificultam ou impedem o acesso ao diagnóstico e à atenção psicossocial para pessoas com TEA em situação de vulnerabilidade social no Brasil, com ênfase nas intersecções entre TEA, classe, raça, gênero e território. Compreensão crítica de como as desigualdades sociais estão configuradas dentro das subjetividades sociais específicas nos serviços de saúde e educação, gerando processos de exclusão que agravam a vulnerabilidade de pessoas no espectro já subalternizadas por múltiplos marcadores sociais. Discussão de estratégias de atuação profissional comprometidas com a equidade, a justiça social e a integralidade da atenção psicossocial em contextos de alta complexidade social.
TEA na vida adulta: trajetórias, identidade e qualidade de vida — 16/06/2027Problematização da invisibilidade histórica do TEA na vida adulta nos campos da pesquisa, da clínica e das políticas públicas, e seus impactos sobre a qualidade de vida, a saúde mental e a produção de subjetividade de adultos no espectro. Análise das trajetórias de vida de pessoas no espectro na idade adulta — incluindo trabalho, autonomia, vida afetiva e sexual, habitação e participação social —, a partir de uma perspectiva de desenvolvimento que recuse a ideia de teto ou limite fixo para o desenvolvimento humano. Discussão das novas práticas profissionais orientadas à promoção da autodeterminação, da identidade autista positiva e da qualidade de vida de adultos no espectro, em articulação com as políticas de atenção psicossocial.
Comunicação, linguagem e interação social no TEA: perspectivas além do déficit — 23/06/2027Análise crítica dos modelos centrados no déficit que predominam na compreensão da comunicação, da linguagem e da interação social no TEA, e apresentação de perspectivas alternativas que reconhecem os estilos comunicativos autistas como formas legítimas e singulares de expressão subjetiva e de relação com o mundo. Estudo das diferentes formas de comunicação presentes no espectro — verbal, não verbal, aumentativa e alternativa —, com ênfase na diversidade de recursos expressivos e nos contextos que os potencializam ou suprimem. Discussão de abordagens de apoio à comunicação comprometidas com o protagonismo, a autodeterminação e a produção de sentidos subjetivos das pessoas no espectro, em diálogo com os princípios da atenção psicossocial.
Psicofarmacologia crítica no TEA: indicações, limites éticos e risco de violência química — 30/06/2027Análise crítica do uso de psicofármacos no TEA, situando as indicações clinicamente fundamentadas — manejo de comorbidades como ansiedade, TDAH, epilepsia e transtornos do humor — e os riscos do uso indiscriminado da polifarmácia e da prescrição orientada ao controle comportamental em detrimento do bem-estar e da produção de subjetividade das pessoas no espectro. Discussão do conceito de violência química como forma de contenção institucional disfarçada de tratamento, e de sua relação com o capacitismo e com a lógica manicomial que persiste em muitos serviços. Reflexão sobre o papel de cada profissional da saúde na promoção de práticas farmacológicas éticas, transparentes e orientadas pelos princípios da atenção psicossocial e do respeito à autonomia da pessoa.
🎓 Seminário Avaliativo Integrador do Módulo 2 — 07/07/2027
Encontro com a coordenação + Turma — 14/07/2027